🤝 PT e PL Juntos? O Que a Aliança em São Luís Revela Sobre a Política Brasileira
Por Elias Tavares
As eleições municipais de 2024 revelaram um fenômeno inusitado na política brasileira: alianças entre partidos ideologicamente antagônicos, como o PL de Jair Bolsonaro e o PT de Luiz Inácio Lula da Silva. Embora pareça improvável à primeira vista, essa realidade tem ganhado espaço em diversos municípios — especialmente em São Luís do Maranhão.
Neste artigo, exploro o caso maranhense, seus impactos na confiança pública e o que essa estratégia revela sobre o sistema partidário atual.
Uma Coligação Sem Precedentes
Em São Luís, o cenário político se tornou ainda mais intrigante. Isso porque o candidato Duarte Júnior (PSB) conseguiu unir partidos que, até recentemente, representavam campos opostos do espectro político. Além do PT e do PCdoB, a coligação inclui o PL, o PSDB e o União Brasil.
Essa frente ampla é formada com o objetivo de derrotar o atual prefeito Eduardo Braide (PSD), que, por sua vez, conta com o apoio de MDB e Republicanos.
O Que Explica Essa Aliança?
A primeira explicação possível é o pragmatismo político. Embora Jair Bolsonaro tenha criticado duramente a união com o PT, o diretório estadual do PL justifica a coligação como uma articulação local, orientada pela viabilidade eleitoral.
Ou seja, trata-se de uma aliança que ignora o campo ideológico para favorecer o campo estratégico.
Além disso, Duarte Júnior tem defendido abertamente a construção de pontes entre diferentes forças políticas, destacando que São Luís precisa de união e não de polarização.
Esse Fenômeno Vai Além do Maranhão?
Sem dúvida. Em São Paulo, por exemplo, Ricardo Nunes (MDB) conta com apoio do PL para enfrentar Boulos (PSOL), que tem o apoio do PT. Já no Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) lidera com ampla coalizão, enquanto figuras bolsonaristas se retraem ou recuam de disputar as prefeituras.
Portanto, não se trata de um caso isolado, mas de uma tendência eleitoral que se espalha pelas capitais brasileiras.
Quais São os Efeitos Dessas Alianças?
Por um lado, há vantagens claras. Essas coligações favorecem soluções locais, ampliam o diálogo político e refletem maturidade institucional em contextos municipais.
Por outro lado, o eleitor pode se sentir traído. Afinal, as ideologias partidárias passam a segundo plano, o que pode gerar desconfiança, apatia e até sensação de oportunismo.
Em outras palavras, o pragmatismo pode vir com um custo elevado: o enfraquecimento da coerência ideológica e do vínculo programático dos partidos com suas bases eleitorais.
A Crise da Coerência Partidária
As alianças inusitadas entre PL e PT, como a de São Luís, mostram que muitos partidos no Brasil têm abandonado suas identidades. Isso resulta na transformação de algumas siglas em “legendas de aluguel”.
Consequentemente, a política se torna menos previsível e menos transparente — dois elementos que minam a confiança pública.
Como Fortalecer a Democracia?
Para reverter esse quadro, é fundamental adotar medidas institucionais. A seguir, algumas propostas:
- Cláusulas de barreira mais rigorosas, que forcem consistência ideológica;
- Proibição de coligações proporcionais, evitando alianças apenas eleitorais;
- Regulamentação de coerência programática, principalmente em nível municipal.
Com isso, será possível aumentar a fidelidade partidária e reduzir os arranjos puramente pragmáticos.
Conclusão 🔍
A aliança entre PT e PL nas eleições de 2024 não é um erro isolado, mas sim um sintoma de uma política brasileira marcada pela flexibilidade extrema. Embora alianças locais sejam legítimas, elas levantam um alerta: até que ponto estamos dispostos a negociar coerência em nome da viabilidade?
No fim das contas, a resposta a essa pergunta vai determinar o futuro da política brasileira — e a confiança que o eleitor deposita nas urnas.


