Derrota do governo no Congresso revela crise de articulação
A derrota do governo no Congresso ao perder a arrecadação do IOF evidencia não apenas uma falha de articulação; além disso, representa uma quebra de confiança dentro da própria base.
por Elias Tavares
De forma simultânea em um único dia, o Congresso Nacional enviou dois recados inequívocos ao Palácio do Planalto: quem governa é ele — e o governo federal está politicamente acuado.
Por conseguinte, a Câmara dos Deputados derrubou o decreto do presidente Lula que aumentava a alíquota do IOF. A medida era estratégica para o ministro Fernando Haddad, que buscava garantir R$ 10 bilhões em arrecadação. Nesse contexto, a votação resultou na revogação com 383 votos a favor e apenas 98 contra, segundo levantamento da CNN Brasil. O mais grave: 243 desses votos vieram de partidos da base governista, muitos dos quais comandam ministérios.
Pior ainda: 11 vice-líderes do próprio governo votaram contra o decreto. Isso não é apenas desorganização — é sinal claro de deslealdade e ruptura silenciosa.
💬 Governo que apela ao STF mostra fraqueza
Após a derrota, o ministro da Fazenda anunciou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal. Ainda que juridicamente viável, sob a ótica política, a decisão tem um efeito devastador. Na prática, parece que o governo só consegue manter sua agenda na canetada judicial — e não na articulação com sua base.
Por fim, essa nova derrota do governo no Congresso deixa claro que não há mais alinhamento entre o Executivo e sua própria base.
Esse tipo de crise reforça o que discutimos em outro artigo sobre a fragilidade da articulação política em governos de coalizão.
Recorrer ao STF quando se perde no plenário é sinal de que o Executivo está acuado e que o Congresso tomou as rédeas do jogo político.
🧨 Congresso avança — e ignora a sociedade
No mesmo dia, o Senado aprovou — por 41 votos a 33 — o aumento no número de deputados federais. A Câmara passará de 513 para 531 parlamentares a partir de 2027, ampliando gastos e cargos, mesmo com 76% da população sendo contra esse tipo de medida, segundo o Datafolha.
É o Congresso legislando para si próprio, completamente desconectado da sociedade e do debate sobre responsabilidade fiscal.
🧠 A análise de Elias Tavares
“Recorrer ao STF é legal, mas politicamente revela fraqueza. Quando o governo precisa da Justiça para sustentar uma medida estratégica, é sinal de que perdeu a confiança da própria base.”
“O Congresso mostrou que quem governa hoje em Brasília veste terno do outro lado da Esplanada.”
“Enquanto o país pede corte de gastos, o Congresso amplia as próprias cadeiras. Em resumo, é um Parlamento que abandonou o eleitor para preservar seus privilégios.”
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